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Seminário nacional debateu os impactos da carcinicultura
O seminário Manguezais e vida comunitária: impactos socioambientais da carcinicultura reuniu, entre os dias 21 e 24 de agosto, em Fortaleza, 166 pessoas, de 15 estados, sobretudo pescadoras e pescadores, de todas as regiões do Brasil, pesquisadores/as, organizações não-governamentais e pastorais sociais, com o objetivo de articular as comunidades para troca de experiências, reunindo estratégias de enfrentamento para a problemática.
No dia 22, foram realizadas visitas técnicas às comunidades do Cumbe e do Porto do Céu, no município de Aracati, onde há maior concentração de viveiros de camarão do Ceará, para observação dos impactos dos viveiros na vida da comunidade local. Após a visita, os participantes do encontro realizaram uma manifestação contra a carcinicultura em Aracati. Durante todo o evento, quatro painéis discutiram a carcinicultura a partir do olhar das comunidades pesqueiras, o panorama da carcinicultura e da água no Brasil, políticas públicas de carcinicultura e de conservação dos manguezais e estratégias de enfrentamento.

Depoimentos de pescadores e pescadoras apontaram a poluição dos rios, a destruição dos manguezais, os impactos negativos na pesca e na fauna em geral e as mudanças no cotidiano das comunidades tradicionais como as principais problemáticas causadas pela criação de camarão em cativeiro. Houve críticas também aos rumos das políticas dos governos para o litoral, que privilegiam os carcinicultores em detrimento das comunidades tradicionais.

Carlos Alberto, da reserva extrativista de Canavieiras (BA), ressaltou a importância do protagonismo das comunidades na defesa da Zona Costeira: "Nós, as nossas comunidades existem nesses locais há centenas de anos. Então nós temos capacidade de fazer esse acompanhamento (das atividades na ZC). Não precisa, entendeu, que venha um fazendeiro, carcinicultor, para dizer o que é melhor para nós. (...) A noção que eles têm de bem é muito diferente da nossa. Para nós, o nosso bem é a nossa sobrevivência, são as nossas raízes. O nosso caminho de luta principal é a união e vamos tentar criar o máximo de reservas extrativistas possíveis que nós conseguirmos nesse país.".

No final do evento, foi escrita a Carta de Fortaleza dos Povos das Águas. A carta denuncia os principais impactos da atividade: destruição dos manguezais no Brasil, privatização sem precedentes de água e de terras públicas e indígenas, expulsão das populações locais, desmatamento de manguezais, salinização de água doce, poluição de rios, gamboas e estuários, diminuição crescente do pescado (mariscos, crustáceos e peixes) e empobrecimento dos Povos das Águas, dentre outros. A carta reivindica ação preventiva e corretiva dos governos estaduais e federal, determinando a recuperação das fazendas de carcinicultura abandonadas ocorra por parte dos degradadores e que haja uma reversão da posse e/ou titularidade dessas áreas para a integração ao patrimônio público.

Aline Baima - Assessora de comunicação do FDZCC
21/09/2006
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