A Luta pela Terra
Até a década de 70, as famílias de Ponta Grossa viviam tranqüilamente, tirando seu sustento da pesca artesanal e da agricultura. Mas, em janeiro de 1973, a empresa Marvin Agro-Industrial S/A – Marsa comprou todas essas as terras de cultivo dos moradores. Alguns venderam por bem, outros foram obrigados e ameaçados.
Nos anos 80 e 90 teve início a conscientização da comunidade, o fortalecimento de lideranças e da luta pela terra. Em 1996, por ordem judicial, a empresa Marvin Agro-Industrial S/A – Marsa teve que doar 18 hectares de terra, na parte de cima das falésias, à comunidade, uma vez que não havia mais espaço nas terras junto à praia. Foram quase 5 anos de luta e depois de diversas reuniões, com a Prefeitura e representantes da fazenda, cada família recebeu lotes de 20/30 metros.
A luta da população através das associações garantiu a preservação da terra para os nativos residentes. Com a criação da Área de Proteção Ambiental (APA), em 1996, e de seu zoneamento preliminar, a comunidade tem conseguido assegurar espaços significativos da terra de baixo, junto à praia, sem ocupação.
A luta e o desafio atuais referem-se à regularização das terras de baixo (terrenos de Marinha), cadastramento das famílias residentes, campanha de conscientização sobre a preservação dos direitos dos nativos e a criação de um regimento de uso e ocupação do espaço com poder legal.
Este regimento deve garantir a propriedade dos nativos, através do GRPU (Gerência Regional do Patrimônio da União) ou através da reformulação da APA e da criação de uma Reserva Extrativista, com base nos princípios do Desenvolvimento Sustentável, conforme o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza).
29/11/2005