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A carcinicultura
Em meados de 1997, a criação de camarões em viveiros começou a se desenvolver no Brasil, a partir da introdução do camarão branco do Ocidente (Litopenaeus Vannamei), espécie oriunda do Oceano Pacífico. Um fator determinante para o crescimento vertiginoso dessa atividade foi a associação do cultivo desses camarões a uma gama de tecnologias que torna as operações de produção mais fáceis e lucrativas num primeiro momento.

Os índices da carcinicultura brasileira apontavam uma produção de 3.600 toneladas/ano em 1997. Em apenas 5 anos, este dado saltou para 60.128 toneladas/ano, sendo que a região Nordeste detém aproximadamente 97% dessa produção. Os números fizeram o Brasil saltar onze posições no ranking mundial da produção de camarão. Em apenas meia década, o País passou de 18º para 7º produtor de camarão do mundo.

O rápido desenvolvimento da carcinicultura gerou diversos problemas de ordem ambiental. Um deles foi a contaminação da água. A criação de camarões demanda muita água, que após o uso nos viveiros, é devolvida ao ambiente já contaminada. Por essa razão, muitas espécies de pescado (caranguejo, peixe, molusco) morrem após a implantação dos viveiros.

As grandes áreas ocupadas pelos criatórios de camarão ocasionam o desmatamento de extensas áreas de manguezais e carnaubais o que ameaça a sobrevivência de comunidades que tiram seu sustento desses ecossitemas; as áreas de viveiros se expandem, acumulando águas altamente salinas que podem penetrar o lençol freático.

Outros prejuízos da carcinicultura dizem respeito ao uso e à ocupação da terra. Terrenos de marinha ainda não demarcados vêm sendo apropriados pelos carcinicultores; populações tradicionais são expulsas ou sofrem com a degradação de suas áreas e de seus recursos hídricos. Conflitos pelo uso da água também têm se evidenciado, principalmente no Nordeste.

Economicamente, a viabilidade da carcinicultura tem se mostrado uma ilusão: o Brasil possui o segundo menor preço mundial no mercado exportador de camarão; os consumidores internacionais demandam produtos com agregação de valor (o camarão brasileiro não possui maiores graus de beneficiamento); a proliferação de doenças cresce e acarreta prejuízos. Enquanto isso, os investimentos do governo privilegiam o agronegócio, que temporariamente se beneficia, em detrimento dos pequenos produtores.
05/11/2005
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