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Aspectos Físicos
A porção terrestre da zona costeira cearense contém uma grande variedade de ambientes: falésias, campos de dunas fixas (vegetadas) e móveis, lagoas temporárias e permanentes, restingas, manguezais, matas de tabuleiro, carnaubais, caatinga e cerrado.

Essa porção é formada por duas paisagens geográficas: a Planície Litorânea e o Tabuleiro Litorâneo. A Planície litorânea apresenta intensa dinâmica da paisagem, pela ação de ondas, rios e intensos ventos, compondo praias, dunas, falésias e planícies. O Tabuleiro litorâneo é a porção mais interior (até cerca de 60 km), que apresenta relevo plano e solo arenoso, onde se encontram lagoas, algumas matas preservadas, extensos carnaubais e áreas onde predominam espécies típicas de caatinga ou cerrado.

Dentre os principais rios estão (de leste para oeste) o Jaguaribe, Pirangi, Choró, Pacotí, Cocó, Ceará, Curu, Mundaú, Acaraú, Coreaú e Timonha.

A intensa dinâmica dos processos que ocorrem na zona costeira proporciona grande diversidade de recursos naturais, possibilitando muitas formas de uso e ocupação humana do ambiente, no entanto, sua instabilidade acentua a fragilidade frente aos impactos causados pela ação dos seres humanos.

Os fatores climáticos

O conjunto de fatores que atuam no clima da Zona Costeira Cearense faz com que as condições atmosféricas da região a enquadrem entre úmida e sub-úmida. A freqüência de chuvas é irregular, contudo, percebe-se uma clara divisão em dois períodos: o primeiro de janeiro a junho, onde ocorrem 90% das chuvas anuais; o segundo, de julho a dezembro, é o período de estiagem.

A área é marcada por altas temperaturas, em torno de 26º, forte radiação solar e alto nível de evaporação da água, o que confere à vegetação grande importância no equilíbrio hídrico. Os ventos na região também são fatores de grande relevância, por contribuírem significativamente para a modificação constante da costa. A velocidade média é de 4 m/s nos meses de setembro e outubro.

Os fatores geológicos

A porção aquática (submersa) da zona costeira cearense possui correntes marítimas em direção noroeste, devido à ação da Corrente Norte do Brasil (paralela à costa, pobre em nutrientes e de alta temperatura).

A sua plataforma continental é rasa e estreita, com uma largura máxima de 100 km no litoral oeste, e mínima de 40 km, a leste. O seu relevo é plano até a profundidade de 70 metros, onde ocorre uma grande variação de profundidade do mar (a quebra de plataforma). Nota-se a presença de areia, lama e recifes de coral, onde há grande diversidade de espécies, mas em número relativamente baixo.


A fragilidade dos ecossistemas

Os rios e manguezais assumem importante papel na produtividade marinha, por levarem nutrientes para o mar, pois a disponibilidade de nutrientes na plataforma continental é baixa. Eles abrigam e contribuem com o ciclo de vida de inúmeras espécies marinhas (cerca de 65% das espécies de peixe têm seu ciclo de vida condicionado a estes ambientes).

O lençol freático apresenta profundidades variáveis, sendo mais raso na planície litorânea, onde as dunas são consideradas os maiores aqüíferos. A especulação imobiliária, a ocupação desordenada e o uso irracional dos recursos naturais da zona costeira cearense, diante da fragilidade de seus ambientes comprometem significativamente o equilíbrio ecológico da região, ameaçando a qualidade de vida de milhares de famílias que habitam as cidades e comunidades costeiras.

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