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27 de janeiro de 2011

O Povo - Você é a favor de intervenções na Praia Mansa para atender ao lazer de Fortaleza?


Não. Antes de evidenciar a importância do amplo acesso público, preservação ambiental e pleno controle social das atividades a serem direcionadas para a Praia Mansa, é necessário apresentar um cenário regional.

A ocupação do litoral de forma inadequada promove impactos negativos de elevada magnitude: erosão costeira, contaminação das lagoas e lençol freático litorâneos e perda de biodiversidade. As interferências nas praias – construção de casas, resorts, campos de golfe, barracas, bares e vias de acesso sobre ambientes de domínio de ondas, marés e ventos – ocasionaram a degradação da paisagem litorânea.

Suas funções e seus serviços ambientais – reservas estratégicas de água doce, fonte de sedimentos para evitar a erosão costeira, nichos de biodiversidade, produtores de nutrientes para a vida marinha, segurança alimentar para os povos do mar e indígenas – foram profundamente alterados de forma cumulativa: riscos de colapsos ambientais e degradação dos ecossistemas fundamentais para a qualidade de vida.

Isso devido às ações orientadas por políticas de mercantilização da natureza - incluindo as recentes propostas de flexibilização da legislação ambiental e obras públicas sem licenciamento. Um cenário de degradação sem precedente, exatamente no período de políticas ambientais, últimos 20 anos, voltadas para o “desenvolvimento sustentável”. Mais recentemente, os danos socioambientais poderiam agravar-se na praia Mansa e comunidades vizinhas como Titanzinho e Serviluz, com a construção do estaleiro; foi avaliado por ambientalistas, moradores e administração municipal, como extremamente danoso para Fortaleza.

Para garantir ecossistemas com qualidade ambiental e funções e serviços ambientais para a cidade, a exemplo do Parque e Área de Proteção Ambiental de Sabiaguaba, o Projeto Orla de Fortaleza tratou também da necessidade de criação da Unidade de Conservação da Praia Mansa, constituída por ecossistemas de preservação compatíveis com ecoturismo, pesquisa científica, educação ambiental e lazer em terreno público; atividades para a inclusão social, com a manutenção do porto das jangadas e ações afirmativas para os jovens.

O Plano Diretor Participativo consolidou sua preservação ao definir como Zona de Interesse Ambiental e Especial do Projeto Orla. As construções de um Centro de Referência Ambiental (educação ambiental e escola de surfe) e restaurante deverão localizar-se fora da praia e em setores definidos com a participação popular. A Praia Mansa também deverá fazer parte do Patrimônio Cultural (proposta dos movimentos sociais e ambientalistas) e as comunidades do entorno tratadas como exemplos de luta e resistência por uma cidade sustentável!

Jeovah Meireles - Prof. de Geografia e do Programa de Pós-Graduação em Geografia/UFC
antoniomeireles4@gmail.com


Publicado por: portaldomar em   Opinião.  marcador Tags  intervençãodestaqueopiniaoJeovah Meirelespraia mansa.

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