22 de julho de 2011
Juventude do campo inicia encontro de formação com 700 jovens
Por Camila Garcia, do Instituto Terramar, para o MST
O primeiro dia (21 de julho) do X Curso de Formação Estadual Sobre Realidade Brasileira Para a Juventude Camponesa iniciou suas atividades com a presença de 700 participantes vindos de acampamentos e assentamentos do MST no Ceará, representantes dos movimentos urbanos de Fortaleza, de indígenas e representantes dos Povos da zona costeira cearense. A iniciativa recebeu ainda, jovens vindos do MST da Paraíba. Todos/as em clima de festa pelos 10 anos de parceria entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Movimento dos Trabalhadores/as Rurais Sem Terra (MST) na construção desse encontro de formação.
Para a abertura, falas dos representantes dos movimentos sociais presentes e das autoridades que apoiaram financeiramente a realização desse evento. A mesa foi composta por mais de 10 pessoas que parabenizaram a iniciativa do MST e da UFC, fortalecendo a dimensão de que a juventude é sujeito do tempo presente da transformação social. “Juventude que ousa lutar constrói o Poder popular” e “Pátria livre: Venceremos!” foram algumas das palavras de ordem que marcaram a animação do momento de abertura.
Em seguida, ainda pela manhã, uma mesa de análise de conjuntura foi composta pelo dirigente estadual do MST, Jaime Amorim, e pelo professor da faculdade de economia da UFC, Aécio de Oliveira. Na pauta um debate sobre o estado brasileiro, energia, agronegócio e consumo. De tarde, os jovens se dividiram em grupos menores para participar de oficinas temáticas com duração de dois dias, sempre as tardes. Os temas variam desde comunicação, customização e percussão, até técnicas de teatro do oprimido e justiça ambiental.
Todo esse esforço de mobilização começou ontem dia 21 e se estenderá pelos dias 22, 23 e 24 de julho. Sobre o objetivo da formação, Marcelo Matos do setor de juventude do MST no Ceará diz: “Nós construímos uma oportunidade de formar essa juventude para que ela possa contribuir com o movimento e que possamos fazer a revolução brasileira. Sabemos que isso não é uma tarefa fácil, mas precisa ser feita.”
Além da possibilidade de contribuir com a reflexão dos movimentos social, o encontro, simboliza a possibilidade da uma ação de extensão ancorada na troca de saberes entre academia e o campo. A respeito dessa proposta, Celecina Sales, professora da UFC, afirma: “Já faz 10 anos que realizamos essa formação. Ela representa uma possibilidade de fazer uma ação de extensão que dialogue com os temas dos movimentos sociais e ultrapasse os muros da universidade. E, também, uma ação que fortaleça a juventude como sujeito do presente, e não como promessa do futuro ou como quem produz violência”.
O X curso de Formação está acontecendo em Fortaleza, no Ginásio Paulo Sarasate. Lá os/as jovens estão dormindo, fazendo as refeições, articulando lutas e afetividades, construindo diferentes formas de aprendizado. Os trabalhos do primeiro dia se encerraram com o Show cultural das mulheres do “Tambores de Safo”, um grupo formado por militantes feministas que incorporam críticas ao patriarcado e ao capitalismo em suas letras e batidas. A apresentação contagiou todos/as os participantes do encontro que se somaram aos Tambores em uma grande ciranda na quadra do ginásio.

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