22 de novembro de 2010
Fortalecimento das comunidades é foco do turismo comunitário
Natasha Pitts para Adital
19 de novembro de 2010
O conceito do turismo comunitário é vasto e aborda, entre outras coisas, a cultura, a identidade de uma comunidade, o cuidado com o meio ambiente, e o crescimento sustentável, planejado e viável que não modifique o modo tradicional de viver e trabalhar de artesãs e artesãos, pescadores e agricultores.
Nas palavras de Rosa Martins, do Instituto Terramar, "o turismo comunitário é uma atividade que considera a existência da comunidade e de suas demandas, que ajuda a população a pensar que tipo de desenvolvimento deseja e como o crescimento pode acontecer sem mudar a cultura e a organização própria da comunidade. É um modo de ressignificar e mostrar que a comunidade existe, de fazer com que a população pense seu espaço e suas relações", esclarece.
O turismo comunitário pode ser visto ainda como uma maneira de defender os territórios e comunidades tradicionais. De mostrar que uma praia, mesmo deserta, não pode ser invadida e ocupada por empreendimentos que desrespeitam a dinâmica local. Este é o caso da Prainha do Canto Verde, cujos moradores começaram a discutir, há mais de dez anos, o que não queriam para sua comunidade. A partir daí, se desenvolveu o turismo comunitário na região.
Outra característica importante é a complementação da renda que a atividade proporciona. Rosa explica que este é um grande desafio, pois, baseado no conceito de economia solidária, é preciso respeitar o trabalhador e também o comprador. É necessário fazer com que os serviços e os produtos sejam acessados pelos turistas, no entanto, sem a visão de que aquela é apenas uma mercadoria qualquer.
Esse tipo de turismo alternativo também se depara com outros desafios, como o de fazer com que a juventude não migre para a cidade, mas sim permaneça em sua terra, valorize-a e compreenda que sua comunidade "é o melhor lugar para morar", como pontua Rosa. Ao decidir ficar, o jovem é chamado a atuar ressignificando a atividade desenvolvida pelos pais.
A exploração sexual é outra grande vilã de qualquer ramificação do turismo e com o comunitário não é diferente. Por visar o bem-estar da comunidade, uma das tarefas dos incentivadores do turismo comunitário é fazer localmente debates, sobretudo, com a juventude e com as mulheres, para fortalecer o combate a problemas como este, que dão abertura para situações ainda maiores, como o tráfico nacional e internacional de seres humanos.
Por ser uma atividade recente, o turismo comunitário precisa ainda ser debatido e fortalecido. Este é hoje o papel da Rede Tucum, atuante no Estado há cerca de dois anos e integrada por 12 grupos organizados da Zona Costeira do Ceará. Sua intenção é dar visibilidade às experiências desenvolvidas no Ceará e torná-la cada vez mais viável em outras localidades, auxiliando, por exemplo, na melhora de infra-estrutura e da capacidade de auto-gestão dos empreendimentos.
Nos próximos 21 a 23, a Rede realizará sua IV Assembléia, em Tatajuba, Camocim voltada justamente para fortalecer e aperfeiçoar a atividades. O evento mesclará momentos aberto ao público para apresentar a Rede Tucum (dia 21) e momentos reservados aos convidados para discutir desafios como a criação de estratégias de marketing, a promoção dos serviços oferecidos no turismo comunitário e ações futuras.

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