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23 de novembro de 2011

Em Fortaleza (CE), Grito da Pesca marca Dia Nacional de Luta da Pesca Artesanal

 

Natasha Pitts

Jornalista da Adital

Em comemoração ao Dia Nacional de Luta da Pesca Artesanal - 22 de novembro - na manhã desta terça-feira, pescadores e pescadoras artesanais do estado do Ceará realizaram o "Grito da Pesca”. A caminhada reivindicatória percorreu as ruas de Fortaleza saindo do Mucuripe, local considerado simbólico para a pesca, e se encerrando na sede do Ministério da Pesca e Aquicultura. Estiveram presentes cerca de 500 pescadores/as de 20 comunidades cearenses.

A caminhada, já tradicional, buscou, além de comemorar a data, chamar atenção para demandas comuns de associações, colônias, sindicatos e cooperativas. Entre as principais cobranças estão: reconhecimento e regularização do território tradicional pesqueiro; Política Nacional de Ordenamento Pesqueiro, considerando as várias realidades e espécies; abertura do cadastro do Registro Geral de Pesca; além de investimentos para infraestrutura em beneficiamento, petrechos de pesca e embarcações.

Segundo informações do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais – MPP, articulação organizadora da caminhada desta manhã, cerca de 65% da produção pesqueira do Brasil advêm do trabalho de pescadores e pescadoras artesanais. Esta cifra representa mais de 500 mil toneladas de pescado por ano, mas há especulações de que o número possa ser bem maior, já que parte da pesca desembarcada não é pesada e o recolhimento de dados é precário, revela o MPP.

Segundo estimativa do Ministério de Pesca e Aquicultura (MPA), esta produção é resultado do trabalho de mais de 700 mil trabalhadores/as, mas o MPP acredita que o número seja bem maior e gire em torno de um milhão de pescadores/as artesanais no país. A dificuldade para quantificar estes trabalhares/as existe, em grande parte, porque muitos não possuem documentação profissional.

Apesar de ter uma quantidade considerável de representantes e de ter importância para a economia, a segurança alimentar e a sustentabilidade ambiental, a categoria ainda enfrenta muitas dificuldades. Os problemas vão desde condições precárias de trabalho com pouca infraestrutura para a realização da pesca e venda do pescado, até a baixa escolaridade, passando por doenças de pele causadas pela exposição ao sol e os prejuízos causados pela pesca predatória.


Sobre o MPP

No contexto da 1ª Conferencia Nacional de Pesca Artesanal, realizada em setembro de 2009, em Brasília, Distrito Federal, foi criada o Movimento de Pescadores e pescadoras Artesanais – MPP. O coletivo social tem como finalidade organizar a categoria e estimular os trabalhadores/as artesanais a buscar a garantia de seus direitos. Hoje, o MPP tem representação em 12 estados brasileiros e está organizado em coordenações locais que constituem um colegiado nacional.



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