30 de janeiro de 2012
CE - Turismo para todos e com responsabilidade ambiental
Por Jeovah Meireles no O POVO,
A atividade turística pautada no modelo defendido pelo Estado e implementado pelos empreendedores, a requerer a implantação de grandes hotéis, resorts, campos de golfe, marinas e aeroportos, é incompatível com a tese de uma possível harmonia com o ambiente local, seu entorno e as comunidades tradicionais e indígenas. Uma “nova” estruturação econômica que historicamente está relacionada com a degradação dos ecossistemas, desconsideração do modo de vida das comunidades e de seus territórios. Este modelo de turismo é “vendido” como uma atividade “sustentável”, recheada de serviços voltados para a reestruturação das redes e serviços vinculados a uma necessidade de elevada qualificação profissional para a geração de emprego e renda. Uma lógica associada a políticas públicas que abstrai e invisibiliza conflitos que levam à migração forçada de grupos sociais, disputas pelos territórios ancestralmente ocupados por comunidades tradicionais e indígenas e por recursos naturais (elevados volumes de água para os campos de golfe, por exemplo).
As funções ambientais e sociais intrínsecas aos sistemas naturais e de subsistência, extremamente produtivos (biodiversidade), vêm sendo reduzidas e colapsadas pela artificialização, fragmentação e extinção dos ecossistemas. Isto pela necessidade de espaços para as construções de edifícios multifamiliares, suntuosos edifícios e “paradisíacos chalés” (já delineando nítida decadência, por exemplo, Costa do Sauípe no litoral da Bahia e Porto Cano em Aracati).
Tratam-se das externalidades socioambientais – danos que recaem de forma desproporcional sobre as comunidades vulnerabilizadas pelo turismo industrial – vinculadas aos investimentos do Estado e empresas transnacionais em uma perspectiva exclusivamente fundamentada pela lógica do mercado (economicismo e consumismo).
Entretanto, estão se consolidando alternativas para este tipo de turismo convencional e massificado. São as diversas atividades de turismo comunitário e relacionadas à conservação e preservação dos ecossistemas, essenciais para a segurança alimentar e cultural (manguezais, lagoas, falésias, praias e o mar) e com a garantia da permanência do modo de vida das comunidades litorâneas. São desenvolvidas em rede (Rede Tucum de Turismo Comunitário) e inseridas em ações políticas, sociais e ambientais conduzidas por princípios que orientam as decisões coletivas e a sustentabilidade ambiental. Uma prática de turismo que proporciona reflexões sobre quais são os limites da mercantilização da natureza e nos auxilia na formulação dos cenários quando analisados os impactos cumulativos do turismo industrial ao longo do litoral cearense.
Jeovah Meireles, professor de geografia da UFC

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